Como se Filma um Choro

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“Você fica impressionado com o nível de concentração dos atores – porque, na minha opinião, uma coisa é você chorar para comover o espectador, outra coisa muito diferente, e muito mais difícil, é você chorar para fazê-lo rir!”, diz o produtor executivo e production manager Anthayr Nakamura, durante a gravação da websérie Os Chorões, na Santa Cecília, região central de São Paulo. “É mais ou menos como fazer comédia, só que aí você pensa: “Mas não é um choro? E chorar não é uma reação majoritariamente triste, quer dizer, não choramos sempre quando alguma coisa muito ruim acontece?”, diz o produtor.

Pois era exatamente essa a pegada da série: como colocar personagens diante de situações “tristes” – girando em torno de educação (ou a falta dela), manias, vícios (principalmente quando estes nos colocam em um estado, digamos, de chorar mesmo?), política brasileira (segundo Nakamura, será que existe coisa mais trágica e propensa ao desespero do que esta última?), e o abandono da cultura -, mas mostradas com bom humor? “É preciso segurar para não chorar, ou não rir, ao menos durante as gravações!”, diverte-se Nakamura, originalmente de Taipé, na República da China, e que mora no Brasil já há vários anos (ele está com a gangue da produtora desde o início de suas atividades).

“Não fizemos ensaio, não houve nenhuma preparação, digamos, formal”, diz a produtora Bianka Saccoman. “Tudo o que os meninos (Emanuel Mendes, Chico Costabile e André Campos Mesquita, que dirigiram os episódios) pediram foi “É preciso chorar de verdade”. É por isso que, se você prestar atenção, às vezes eles demoram para desabar em lágrimas mesmo, simplesmente porque deviam estar em um nível de concentração muito alto. Mas ficou tudo divertido. As pessoas que assistiram aos episódios já montados tiveram as reações que queríamos: colocavam as mãos na boca, rindo, ou simplesmente riam nervosamente, meio que concordando com a situação (como no caso do episódio dos políticos, O Voto É Obrigatório).

Os produtores também sabiam que um dos grandes desafios era o timing. “Não só o timing da comédia, já que isso eles tinham de sobra mesmo”, diz Bianka. “Mas o timing do próprio choro – era preciso haver um equilíbrio, porque afinal estávamos gravando para a internet, era uma websérie, onde a linguagem é muito rápida”, completa a produtora. “O fundamental”, completa Bianka, “era não apelar para o mais baixo denominador comum – palavrões, piadas grosseiras, esse tipo de coisa muito comum no humor para a rede. Simplesmente essa não é a pegada do pessoal. É para rir, sim. Ou melhor, para chorar. Mas sempre com elegância.”

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