Entre Um Cafezinho e Outro

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?“Veja só como são as coisas. Cerca de um ano atrás, quando o É Quase Verdade ainda não tinha nem sido filmado, a gente sequer imaginava que ele iria virar do jeito que virou”, diz o produtor executivo A. Nakamura. “A intenção inicial do Emanuel era fazê-lo da forma mais barata possível, em um esquema parecido com o do O Homem Que…, o curta que rodamos com o pessoal do Yuri Tarone. Ou seja, filmá-lo em digital para ser distribuído depois na internet, em nosso canal no YouTube. Mas a coisa foi tomando proporções maiores – por exemplo, deixamos de filmá-lo com uma camereta Full HD, que nem trocar lente troca (e que nós utilizamos para produtos direcionados para a net), para rodar com uma 5D da Canon. Inicialmente, ele iria ser um documentário verdadeiro, rodado a cores, entrevistando o pessoal que mora nas ruas, os sem-teto. Mas virou outra coisa: agora é um documentira, rodado com atores, em preto e branco, com quase meia hora de duração e que será distribuído para festivais, em um esquema absolutamente normal, de rotina”, diz Nakamura.

“Da mesma forma, um outro complemento foi responsável por tornar o projeto maior do que o previsto: o making of da produção”, fala o produtor. “Normalmente, não se faz esse tipo de coisa para curtas-metragens, mas o engraçado é que, graças justamente a essa maior difusão do formato, os próprios curta-metragistas vêm dando uma importância maior a seus trabalhos, uma importância de longa-metragem, por assim dizer”, adianta Nakamura. “O curta deixou de ser um mero portfolio ou cartão de visitas para um determinado diretor conseguir um emprego em uma produtora ou simplesmente se exercitar, para poder dar voz a esses diretores – que começam a materializar os temas, as ideias e as preocupações que eventualmente vão ficar mais visíveis e/ou maiores nos longas que irão realizar. Com o Emanuel não é diferente. E com o making of do É Quase… que estamos montando também não é.”

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Filme foi rodado com a 5D da Canon.

Alugada pela Sincronia Filmes, a sala de edição para a montagem do making of já está a pleno vapor. Realizado pelo nosso caro colega Alberto Ismael, o Betão, ex-câmera do SBT, Gazeta e Record, e que nos últimos anos se dedica a colocar quadro atrás de quadro em sua pequena e simpática ilha não-linear (com os cafezinhos servidos nos intervalos e muito bom papo descontraído), o curto documentário segue a mesma linha do filme que ele registra: “é tão subversivo quanto”, diz Nakamura. “Não entrevistamos ninguém, até porque ninguém estava com tempo mesmo para isso”, brinca o produtor. “Mas ele segue a linha bem-humorada do filme, talvez até mais. Isso porque utilizamos muita música instrumental brasileira que vai nesse sentido. Como a trilha composta pelo Marcel (Soares, compositor da música para o curta) ainda não está pronta, e dificilmente vai estar até termos o making of editado, vamos com essas daqui mesmo. E elas deram uma cara toda singular para esse projeto, uma identidade toda própria e responsável até pelo nome que decidimos dar para o making of: É Tudo Mentira!”

“O curioso é que utilizaram justamente a câmera que iriam rodar o filme”, ri Alberto Ismael. “É uma camereta pequena cujo resultado pode variar um pouco quando o quesito é luz – houve muita alternância entre claro e escuro, mas conseguimos manter um equilíbrio na edição final. E a imagem é muito boa, eles realizaram no mesmo esquema do filme, em preto e branco, sem firulas, como eu acho que vai ser todo o material de divulgação”, diz Ismael. “É, vai ser assim mesmo”, complementa Nakamura. “Fizemos uma entrevista com o Mauricio (Esposito, sonoplasta responsável pela desenho, mixagem e edição de som do filme) também na mesma linha, e muito provavelmente faremos o mesmo com tudo relacionado ao filme.”

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Olhe nos meus olhos e perceba que esta era a fatídica câmera. Bianka Saccoman dá um help no registro de “É Quase Verdade”.

Rodado totalmente em locação em São Paulo, É Quase Verdade teve um mínimo de preparação. “Os caras utilizaram até material de pesquisa de locação no resultado final”, diz Nakamura. Obviamente, ele se refere às filmagens-teste que tanto o diretor Emanuel Mendes quanto o fotógrafo Mario Cassettari empreenderam durante a pré-produção. “Mas que foram poucas”, diz Nakamura. “Eles se encontraram numa tarde de outono, alguns meses atrás, e saíram à caça dos melhores ângulos. Sabiam que queriam ângulos específicos para determinados planos, e isso precisava ser testado. Segundo nossas fontes, houve até quem colaborasse com esses testes, mesmo que involuntariamente.” (Nakamura se refere a uma sequência envolvendo um cachorro que… bem, não seremos nós a estragar a surpresa, certo?)

Entre um bom papo e outro, Betão sabe que é preciso voltar ao trabalho. “Está ficando bacana, da mesma forma que o filme também está (o editor teve acesso a algumas das imagens do curta-metragem até para fins de pesquisa de linguagem também). Com essa proliferação de material extra geralmente atachado aos filmes, as entrevistas que a gente vê em DVDs, os comentários em áudio, os próprios making ofs, fica mais fácil você vender seu produto. E isso faz parte mesmo do pacote. Mesmo que essas obras eventualmente não sejam lançadas em vídeo, há sempre os canais alternativos, como o YouTube, o Vimeo, onde essa moçada vem divulgando seu trabalho. É saudável perceber que isso também está migrando para o formato curta”, completa Ismael. E com quanto tempo ficará a duração desse aí? “Ainda não sabemos”, diz Betão. “O que sei agora é que é hora de mais um café antes de voltar a editar.”

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