EntreAtos: Pesquisa de Linguagem de Mirrah Iañez

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Quem trabalha com criação – não importa em qual área do conhecimento humano ela esteja direcionada – sabe o quanto é árduo o processo até que ela chegue em seu resultado final. Diversos são os fatores para que isso aconteça. No caso do cinema, este é um decurso que pode levar meses, talvez anos, até que a obra fílmica esteja finalmente materializada nas telas e o resultado esteja exatamente como nas intenções iniciais de seu criador. Isso pode se elevar ainda mais quando sabemos que cinema é uma arte coletiva, feita em equipe, com decisões que muitas vezes não dependem do diretor – esse grande artífice do ponto de chegada de uma obra cinematográfica. E isso, é claro, também sempre cria um desenvolvimento angustiante naquele que concebe.

Durante a filmagem de seu Estátuas Vivas, a diretora Mirrah Iañez passou pelo mesmo processo que milhares de cineastas vivenciam ao redor do mundo: ela precisou esperar. E foi justamente durante este tempo das interrupções da filmagem que Mirrah colocou para fora não só o que sentia mas também, e talvez até principalmente, o que e como via seu tema e seus personagens.

Ainda na Faculdade, a diretora tirou fotografias de figuras feitas em madeira ilustrando com perfeição não apenas o universo que compõe seu filme, mas também um estudo dos personagens como um todo – mesmo que eles já estivessem incorporados à obra e de certa maneira já fizessem parte de uma primeira montagem. “Foi como encontrei para extravasar essa frustração da espera”, conta Mirrah.

Estas fotos ilustrando esta matéria foram feitas com câmera analógica, em filme 35mm (sim, isso ainda é possível), e, longe de ser simplesmente um exercício de composição de luz, enquadramento ou profundidade de campo, revela por si só não apenas o estado de espírito que perpassava na jovem artista, como seu olhar absolutamente particular para o assunto que retratava – são suas imagens expressivas e muito poéticas que, agora sim, estavam nas mãos de uma única pessoa. E o modo como as fotos conversam com o filme é impressionante. A diretora continua: “Fiz estas fotos analogicamente entre as primeiras filmagens do Estátuas e a refilmagem de alguns takes. São o resultado dessa angústia de não ver as coisas prontas, de ter todo aquele material na cabeça e não poder colocá-lo externamente. De não aceitar que um filme não é como um texto, ou mesmo uma música… Que o processo do filme tem um tempo torturoso a ser aceito. Esse é o entreato do Estátuas Vivas.”

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