Entrevista com Douglas Santana

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Diretor de Inovação do beeyou Explica o Processo de Criação da Plataforma – E Os

Próximos Passos para Startá-la

 

por Marcela Liz

Começar um projeto de startup no Brasil não é tarefa fácil. Na verdade, em nenhum lugar do mundo: o nível de exigência, burocracia, papelada, contatos, rodadas de conversas e prototipação de seu negócio desanimam até os mais escolados neste tipo de empreitada. Às vezes, o maior entrave nem é tanto encontrar um investidor que compre seu sonho junto de você (embora isso também seja complicado), mas de fato produzir e começar a validar aquilo que você criou. Que o diga Douglas Santana, designer de formação, com alguns cursos de pós-graduação e especialização na área, mais outros tantos trabalhos desenvolvidos em grandes empresas e multinacionais: Douglas resolveu ingressar na Escola de Negócios, em São Paulo, do Centro Paula Souza (vinculada ao Sebrae) a fim de dar, como ele mesmo afirma, “um novo rumo para minha carreira e o impacto que eu poderia trazer para o mundo.”

Foi lá, inclusive, que ele conheceu o diretor e cineasta Emanuel Mendes (CEO da Sincronia Filmes). A história dos dois certamente não é por acaso e fatalmente daria um filme – basta ela começar a dar certo e encontrar interessados para tal. “Quando conheci o Emanuel”, conta Douglas, “ele saía de um processo complicado dentro da produtora dele, com um projeto debaixo do braço o qual ele já estava se desanimando. A ideia dele era fazer um site de vídeo-currículo – um modelo de negócios que não era assim tão novidade, mas que ele desejava dar um sopro de inovação -, e eu desenvolvia, dentro da EN, uma plataforma para profissionais fazerem negócios entre si. Como eu precisava do viés do audiovisual para a minha, e ele tentava encontrar uma forma de inovar dentro daquele segmento, resolvemos que o melhor seria unir as duas ideias – e o empreendimento virou o beeyou, um site para profissionais montarem seu histórico em vídeo e áudio, divididos por capítulos estratégicos de 30 segundos cada, e assim poderem se vender e/ou se conectar a outros profissionais/empresas de uma forma que não lhes é possível hoje em dia.”

Tal junção de mentes criativas resultou na primeira turma de incubação da Escola de Negócios – onde os dois pivotaram, desenvolveram e recriaram o modelo de negócio do beeyou até que ele atingisse uma espécie de apogeu funcional e valorizasse a pessoa pelos talentos e habilidades que ela muitas vezes não consegue exibir e/ou mostrar em um currículo tradicional. Foram nove meses (“uma gestação”) de trabalho, desenhos, rabiscos, criação de canvas e amostras, conversas com mentores e empreendedores, contatos e uma infinidade de outros esforços para se chegar ao projeto final. Agora, o beeyou tal como é, já com as telas desenhadas e desenvolvidas, precisa sair do papel. Douglas conta, nesta entrevista, o que precisa ser feito para isso acontecer.      

Vamos começar pelo básico? Por que escolher a profissão de designer? Sabemos que o Brasil é reconhecidamente notório nessa área – são muitos os profissionais que contribuíram para a inovação nessa profissão -, mas qual foi a motivação que te fez seguir esse caminho?

É, minha formação é bem distinta – foi meio que escolhida no susto, obviamente pelo meu gosto pessoal. Se fosse por minha família, o negócio teria sido Medicina, Administração ou Direito. Eu acabei prestando faculdades para esses cursos, mas também prestei Design, e acabei me identificando muito com a profissão, especialmente pela relação com a parte de games, o digital mesmo. Me identifiquei muito, por isso resolvi trilhar esse caminho. Vi muito potencial para poder fazer alguma coisa com o conhecimento que eu iria adquirir e proporcionar um impacto. Esse foi o motivo real da minha escolha.

E em que momento da sua vida você descobriu que era um empreendedor? 

Acho que desde criança. Me lembro quando era pequeno costumava fazer capas para trabalhos para juntar dinheiro e comprar doces. Acho que toda criança acaba por inventar alguma coisa e nessa aí eu percebi minha habilidade com as artes. Nisso, fui tentando moldar um pouco as coisas – mesmo sabendo que minha escolha não era o gosto da família -, mas o tempo foi passando, fui terminando a Faculdade e, logo que estava para formar, percebi que não queria ser mais um designer que trabalha para agências de publicidade e afins. Decidi que queria ter meu próprio negócio e foi aí que me encontrei, eu acho. Pensei: “Vou dar mesmo a cara a tapa e montar algo pra mim.”

Por duas vezes você citou que foi contra a escolha da família para sua profissão. De uma certa forma, você é um rebelde. No que você acha esse espírito de rebeldia contribuiu para a sua visão empreendedora?

Acho que praticamente em tudo – principalmente por ter me proporcionado uma visão diferenciada em relação a como enxergo as coisas. Esse foi o principal fator. Você acaba descobrindo coisas novas – e depois de um tempo minha família acabou aceitando essa minha escolha, mesmo achando que eu talvez fosse morrer de fome (risos). Mas o processo todo me ajudou a descobrir habilidades que, ou eu não achava que tinha, ou achava que eram péssimas. Mas aí você realmente descobre que é muito bom naquilo. E de uma certa forma é legal ser um rebelde porque foge dos padrões que as pessoas desejam – você busca outras direções, mais sentido para as coisas, e isso te ajuda bastante.

Dentro da sua visão pessoal, e, por outro lado, em sua visão como designer, como profissional, o que é para você ser um empreendedor?

Eu acho que é quebrar barreiras, mesmo sabendo das incertezas que você vai ter pelo caminho. Esse é talvez o grande papel do empreendedor. Por mais que você saiba que as coisas tomam um rumo negativo, sejam duras, difíceis, você persiste. Mesmo quando às vezes existe aquele momento do “vou desistir”, mas você persiste, muito porque acredita que o mundo precisa do que você está fazendo, as pessoas precisam, e alguém tem que fazer: então você se olha como a pessoa que foi escolhida para cumprir aquela tarefa. Eu vejo o empreendedor como essa pessoa que possui essa tarefa – que na maioria das vezes ele não escolheu -, mas ele percebe que é capaz de cumprir e seguir adiante, tomando as rédeas da situação.

O empreendedor é mais um sonhador ou uma pessoa mais pé no chão?  

 É uma mistura dos dois – não vai adiantar ser um sonhador se não realizar nada. Você vai ficar apenas no campo das ideias e, eu, como designer, sei que isso é um grande perigo: ficar imaginando, imaginando, e não fazer nada de concreto. É preciso haver um mix dos dois. Ser aquele cara que sonha bastante, realiza, mas também sabe a hora onde vai ter que invariavelmente mudar. Isso é primordial. Do contrário, o empreendedor vai ser engolido não apenas pelo mercado, mas pelo mundo. Portanto, é preciso haver essa mistura de habilidades.  

E como você definiria o beeyou – o empreendimento que você tem com o Emanuel Mendes? O que é de fato o beeyou? 

Basicamente é um aplicativo, um site, onde o profissional – seja ele o que está começando a carreira, o jovem que saiu da Faculdade, o empreendedor buscando um parceiro para um novo negócio, ou mesmo profissionais que já saíram do mercado formal, mas ainda têm muito gás para queimar e não querem se aposentar – vai poder mostrar suas habilidades, profissionais e pessoais, através de áudio e vídeo. Para isso, criamos capítulos estratégicos, separados por tags específicas, com duração de 30 segundos cada. O próprio usuário irá criar esse conteúdo: ele vai criar vídeos contando sobre sua formação, hobbies, interesses, idiomas e uma série de outros. Geralmente, esse tipo de conteúdo não é disponibilizado e/ou vendido para o usuário – em geral as pessoas colocam apenas o cargo, o que fazem ou deixaram de fazer e fica por isso mesmo. Essas plataformas digitais de currículo, esses sites profissionais, são apenas extensões do currículo tradicional em papel. Hoje, exibir habilidades e talentos além daqueles que você mostra em um currículo é um grande diferencial – e você não tem ferramentas que fazem isso, que proporcionem esses recursos ao usuário. Bem, agora você tem: o beeyou.  

No que o beeyou seria único?

Único é uma palavra perigosa (risos). É melhor evitá-la. Mas eu acredito que o que diferencia a ferramenta das outras é o fato de valorizarmos primeiro os profissionais, as pessoas, e não as empresas. Por mais que elas terão um espaço para si, o interesse da plataforma está nas pessoas e no que elas poderão construir lá dentro que lhes proporcione melhorias em suas carreiras, em seus contatos e até nos relacionamentos com as empresas e com outras pessoas/profissionais. É explorar ideias que as pessoas possam ter, projetos que elas gostariam de participar, é poder extrair o melhor delas – sem ficarem presas a um esquema montado exclusivamente para benefício de empresas.

E por que um investidor colocaria recursos no beeyou?

Nós discutimos muito isso, e chegamos à conclusão que, a pessoa que for investir em nós, precisa estar nessa vibe da transformação pela qual o mundo vem passando. Existe um movimento em relação a isso: as pessoas querem poder ter a chance de mostrarem que são boas em uma determinada área, que possuem dons, talentos, habilidades outras que, como eu disse, às vezes não estão especificadas em um currículo. Mas sabemos que não é fácil: o investidor brasileiro quer ter retorno, e na maioria das vezes um retorno muito rápido (o modo como ele, o investidor brasileiro, pensa, é muito diferente do americano e do europeu. Existe uma cultura muito forte, muito enraizada de empreendedorismo por lá, e que ainda é muito incipiente por aqui).  

Quais as dificuldades concretas?

No nosso caso, é encontrar um desenvolvedor (Douglas se refere ao profissional responsável pela programação da plataforma). Está meio embaçado achar essa pessoa (risos). Durante nosso processo de Incubação na Escola de Negócios, conversamos com vários deles, fizemos um monte de reuniões, mas o problema é que, embora muitos tivessem se interessado e achado o projeto superinteressante, eles ou estavam muito ocupados, trabalhando em projetos maiores, ou simplesmente não queriam mesmo. Então hoje, nossa principal meta é encontrar esse profissional, se possível, que entre até como sócio, para completarmos a equipe.

Hoje, portanto, a equipe se resume a você e ao Emanuel. 

Sim.

Se você pudesse comparar o empreendedor, ou o empreendedorismo, a um animal, qual seria ele?

Acho que uma formiga. Não apenas pelo tamanho (risos), mas pelo próprio esforço necessário: é preciso muito, muito esforço para se construir uma empresa, uma empresa sólida, que seja duradoura. É preciso que ele tenha a garra, a disciplina, a resiliência que muitas vezes encontramos nas formigas. A mentalidade tem que ser essa. E também fazer coisas grandiosas, mesmo sendo pequeno.

Não são poucas as pessoas que encontramos hoje em dia que muitas vezes estão perdidas, sem rumo, sem direção, sem saber muito bem para onde ir – especialmente quando o assunto é trabalho, profissão. Você traçou um plano para a sua vida?

Sim. Acho que sou bastante metódico nesse sentido. Se não me engano, quando tinha 11, 12 anos, tracei esse plano sobre o que faria, ou gostaria de estar fazendo, quando completasse 30 anos. Desde estudos de formação, mestrado, especializações etc, até realmente criar uma empresa – e por que não mais de uma? Consegui realizar um bocado de coisas mas estou em um constante aprendizado. No momento, ainda não cheguei lá, mas acredito que estou no caminho.

Marcela Liz é jornalista e empreendedora.

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