Nas Ondas do Rio

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Há vários anos que o Rio de Janeiro vem se firmando, se não como a capital, pelo menos como um dos principais pólos de cinema do país – voltado tanto para a arte como para os negócios, e não apenas do cinema, mas do audiovisual como um todo, englobando televisão, publicidade, e, certamente agora, novas mídias digitais, principalmente a internet. Não custa lembrar que foi no estado da capital fluminense, mais precisamente no município de Campos, que o sociólogo Darcy Ribeiro (1922 – 1997) sonhou com uma escola de cinema aberta essencialmente para formar profissionais voltados à arte do negócio e consequentemente ter o Brasil no mapa dos principais eventos cinematográficos do mundo.

Parte desse sonho vem se materializando nos últimos anos – tanto pela inclusão do Festival do Rio entre os eventos de maior relevância na América Latina, trazendo gente do calibre de Harvey Weinstein, por exemplo, e abrindo saudáveis discussões sobre a possibilidade de parcerias e coproduções com o continente, quanto pelo alcance de visão ao se perceber a cidade maravilhosa como excelente ponto estratégico para a efetivação de novos negócios.

E o Rio Content Market – o evento anual que já vem ocorrendo há dois anos na capital do estado – desde já se consolidou como o maior acontecimento para a área na América Latina. Durante uma semana, ele promove o encontro de executivos do broadcast e mobile, programadores, criadores e produtores audiovisuais a fim de apresentar ideias, cases e modelos de negócio relevantes para o desenvolvimento de parcerias e coproduções nas indústrias que mais vêm crescendo no mundo: tecnologia, informação e entretenimento.

“Sob todos os pontos de vista o Rio Content Market é importante para nós”, confessa a produtora Bianka Saccoman. “Principalmente porque estamos com vários projetos nestas três principais frentes – além de termos lançado Os Chorões na web, estamos desenvolvendo um projeto grande envolvendo um site de conteúdo audiovisual, nossa primeira campanha publicitária totalmente independente, e os filmes em curta e longa-metragem em coprodução”, diz Bianka. “No Rio, teremos oportunidade não só de participar das mesas de discussão – ouvindo palestrantes e produtores do mundo inteiro – mas também de fazer negócios, fechar acordos, apresentar ideias. É um lugar superexcitante para se estar.”

Nesta terceira edição, o Rio Content Market vai apresentar keynotes, painéis, sessões de pitching, rodadas de negócios e o Lab Transmídia – foco série de TV –, o qual oferece aos produtores de todo o mundo a oportunidade de aprimorar seus projetos transmídia com experts do mercado e apresentá-los a compradores brasileiros e internacionais.

“Há uma onda muito saudável em relação a esse mercado do entretenimento no Brasil – parece que as pessoas agora perceberam o enorme potencial que existe no país e estão migrando aos montes para cá, e não só para cá, mas na América Latina em geral. É um passo importante e extremamente saudável além de Rede Globo e redes de TV em geral dominantes em países latinos, cuja tradição da telenovela, do melodrama, é muito forte. Mas nós sabemos que uma cultura tão rica como a latino-americana tem muito mais a oferecer. Parece que eles estão percebendo que o cinema, a internet, a publicidade e outras mídias também podem dar pé no continente”, diz Bianka. “Foi por isso que, ao decidirmos abrir uma produtora, queríamos que ela atuasse em todas essas frentes. É muito difícil, e não só por uma questão de sobrevivência, mas também por amplitude de conhecimento e novos mercados, uma produtora hoje se concentrar em apenas um segmento”, completa Bianka.

Mas nem só de arte viverá o Rio Content Market em fevereiro. Uma boa parcela do tempo será gasta em discussões sobre política e economia – essencialmente as políticas que estão sendo traçadas em relação ao futuro do audiovisual. “Ah, sim, esse um dado muito importante, até porque sem ele não sobreviveríamos”, brinca Bianka. “Toda essa discussão a respeito do conteúdo das TVs abertas e fechadas, que elas devem exibir conteúdo nacional, tudo isso é muito importante, mas tão importante quanto é produzir material que seja compatível com esse nosso público cada vez mais exigente por aí. Quer dizer, não adianta nada a exigência de toda essa produção nacional se ela mesma não tiver qualidade. Mais do que nunca hoje as pessoas, sofisticadas como estão, vêm determinando conteúdo de qualidade nas TVs. Se não houver essa formação acadêmica, essa escolaridade, esse acesso à informação e cultura tão apregoados por nossos governantes – e tão carentes nessa sociedade –, nada disso vai tomar forma. Tomara que o Rio Content Market ajude nisso também”, completa Bianka. Uma ideia que, sem dúvida alguma, faria sonhadores como Darcy Ribeiro abrirem sorrisos de felicidade.

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