Stan Brackhage: A Luz do Ser Humano

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Cores, formas, texturas e layouts: o trabalho visual de um diretor como Stan Brackhage – que, junto de Maya Deren, “inventou” o cinema de vanguarda nos EUA – é o que vem nos estimulando nos últimos tempos. Brackhage, nascido no Missouri em 1933, atingiu todo o potencial das artes visuais em geral ao incorporar uma série de técnicas as mais variadas para criar obras tão belas quanto desconcertantes.

O diretor realizou seu primeiro trabalho em 1952, Interim, quando tinha apenas 19 anos. Notadamente prolífico, ele completou praticamente mais de 300 fitas, várias delas indo de meros segundos a várias horas de duração. Como Deren, Brackhage veio a compreender o cinema através da poesia, e seus primeiros trabalhos de fato lembram os de Deren e vários de seus contemporâneos.

Mas enquanto a obra de Deren tinha muita influência do surrealismo – com atuações maneiristas; uso de simbolismo; luz não-natural; temas psicossexuais –, os filmes de Brackhage eram mais primitivos, indo do terror e choque de Mothlight até a não-utilização de uma câmera, usando somente a pintura diretamente sobre a película, como aconteceu com vários de seus trabalhos da última fase. Ao evitar a fotografia como um todo, sua intenção vai primordialmente para a simples ideia da percepção.

Dessa forma, esses filmes fazem a ligação direta com a pintura de expressionistas abstratos como Pollock, Klein, Motherwell e Rothko, e englobam o mesmo espírito visceral.

Não fotografo mais, ao invés disso faço pinturas diretamente na película – me libertando essencialmente dos dilemas da re-presentação. Minha aspiração é música visual, uma “música” para os olhos (já que meus filmes atualmente não possuem mais banda sonora). Exatamente como um compositor trabalha primordialmente com “ideias musicais”, pode-se dizer que eu trabalho com ideias intrínsecas ao filme, que é o único meio capaz de fazer “clausura” paradigmática a respeito da Vista Primária. Um compositor deve criar paralelos para os arredores do ouvido – os pensamentos primários do som. Eu, de forma semelhante, agora trabalho com as sinapses elétricas do pensamento para atingir paradigmas de cathexis separados como um todo, mas ainda assim “unificados” com as luzes intrínsecas – a Luz, do âmago, do ser humano.

Stan Brackhage faleceu em março de 2003.

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