Um Conto do Bruxo!

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O Homem Que… Finalmente Aparece

 

Historicamente, O Homem Que…, dirigido por Yuri Tarone, é nossa primeira produção após oficializarmos de fato a produtora. De início, a intenção de Tarone, e dos coprodutores e realizadores Francisco Costabile e Emanuel Mendes, era rodar um documentário centrado primordialmente na loucura – fazendo inclusive pesquisas em hospitais psiquiátricos e instituições que cuidam de doentes mentais. Mas a narrativa foi se transformando ao longo do processo e dos vários workshops realizados pela trupe, e a história desviou-se para um filme de ficção. “Houve algumas viagens que membros da equipe fizeram a Minas Gerais na tentativa de pesquisar esse universo”, conta a (hoje) produtora Bianka Saccoman – que começou na Sincronia justamente fazendo assistência na produção, auxiliando Julia Maury, esposa de Tarone e produtora executiva de O Homem Que… “O Christiano Lima, primo do Emanuel, e psicólogo de formação, não só ajudou com alguns elementos do roteiro (sem crédito), mas também se disponibilizou, na época quando o pessoal pensava em realizar um documentário, em arranjar todo o trâmite para que a equipe gravasse em hospitais do estado”, comenta Bianka. “Mas aí a história foi para outro lado.”  

   

Para quem viu, não há como negar que muitas das influências de O Homem Que… (o título, aliás, é uma sugestão de Julia Maury, quando, em uma das reuniões da equipe, ninguém conseguia chegar a uma solução para o título, e a produtora simplesmente soltou a enigmática frase assim do nada) vêm do grande escritor brasileiro Machado de Assis, considerado O Bruxo por boa parcela da crítica de sua época, a começar pelo nome do personagem interpretado por Mario Mohrle, Simão Balaustre, uma referência direta ao Simão Bacamarte do célebre conto de Machado, O Alienista.

E se a Casa Verde, o famoso hospício de Itaguaí do conto do escritor, pudesse de fato revelar os segredos que abrigaram as inúmeras cobaias de Simão Bacamarte, é porque esta história célebre iria transcender os contornos que já a tornam um dos melhores contos de todos os tempos. Machado de Assis, inclusive, dela afirmava: “Se você não é um homem, então não tem palavras o suficiente para falar de outros homens…”

Rodado em digital, com uma equipe composta majoritariamente de pessoas com experiência no ramo e outras nem tanto, O Homem Que… é o típico labor of love – ou seja, aquela espécie de curta-metragem onde toda a equipe trabalha em uníssono para atingir o melhor resultado final. Amigos do diretor Tarone – na época atuando como produtor executivo na MTV paulistana – fizeram parte da trupe, que se reunia semanalmente para discutir a história, o roteiro e o andamento da produção.

   

“O mais legal foi que todo mundo trabalhou junto, todos os departamentos nessas reuniões semanais, ou seja, ninguém ficou isolado em seu canto e chegando depois com seu resultado pronto. Se cinema é a arte de se trabalhar em equipe, então nós levamos isso ao pé da letra”, diverte-se Bianka.

O resultado final é uma mistura bem-humorada de horror, filme de ficção, metalinguagem e drama do inconsciente temperada pela visão pop de Tarone – a influência da TV, do videoclipe e de novas mídias é evidente em um trabalho que, além do final aberto e meio inconcluso (que tem provocado discussão entre os espectadores), não deixa de ser também experimental. “E divertido”, completa Bianka.